21 de fev. de 2013
Adeus companheiro!
Querido companheiro Bueno
Não pude me despedir de você.
Nestes últimos dias não tenho sentido o mesmo vigor físico de quando nos conhecemos. Apesar de trocado aquele Fiat 157, azulão, por um modelo mais moderno faltou-me energia para dirigir até o assentamento Terra Nossa e te dar adeus.
Estou me justificando para que você saiba que minha ausência não ocorreu por descaso a nossa amizade ou falta de carinho com a Luzia.
Como poderia ignorar sua partida depois de tantos momentos juntos. Ainda me lembro do primeiro telefonema para pedir a você autorização para conhecer o assentamento. Também não esquecerei nosso primeiro contato, na sua casa simples coberta de lona plástica preta, aquele fogão a lenha onde tomei tantos cafés e a Júlia saboreou a comida caseira da Luzia.
Tudo ainda parecia um sonho maluco – conquistar a terra para todas aquelas famílias. Mais maluco ainda era enfrentar a polícia de mãos vazias todas as vezes que era determinada a reintegração de posse. Você ligava, eu pegava o azulão e tocava em direção ao assentamento para me juntar as famílias enquanto a polícia fazia plantão do lado de fora.
E quando saímos em busca de um advogado para defendê-los. Sem dinheiro, sem gasolina, na fé. E conseguimos!
E também conseguimos chamar a atenção do Mesa Brasil para escoar a produção do assentamento.
A incansável Luzia cuidava da Júlia enquanto íamos à luta.
Quando conquistaram a terra foi uma festa. Manchete no Atalho.
Tive o prazer de conhecer sua casa na terra conquistada. Foi emocionante ver que o sonho havia se tornado realidade.
Estes são apenas alguns dos momentos que compartilhamos. Tivemos muitos. Todos muito rico e sincero.
Acabei de saber da sua partida. Gostaria muito de dizer adeus, mas desta vez a notícia chegou tarde.
Deixo aqui registrado meu carinho por você e por Luzia.
Companheiro vá em paz.
Companheira Inês do Atalho.


12:36
Inês Ferreira

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