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inês ferreira

31 de jan. de 2011

Crise da AHB está pronta para explodir, diz secretário adjunto da Saúde


“Vamos precisar contar com o apoio da Prefeitura. Não dá para resolver sozinho esse assunto. Vamos conversar com o prefeito, o secretário municipal da Saúde, o Ministério Público e representantes da própria sociedade. Temos que resolver esse assunto que vem se arrastando há muito tempo. Agora, chegou à hora, porque está a ponto de explodir”.
A afirmação foi feita pelo secretário adjunto da Secretaria de Estado da Saúde, José Manoel de Camargo Teixeira, durante reunião com diretores do Seessb (Sindicato dos empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru), realizada na manhã da última quinta-feira, em São Paulo.
Os sindicalistas foram a Secretaria buscar uma solução para a crise da AHB (Associação Hospitalar de Bauru). Os diretores entregaram ao secretário adjunto um dossiê contendo informações sobre a associação desde o início da Operação Odontoma, que culminou com a prisão dos dirigentes da associação, em outubro de 2009.
“Estamos muito preocupados com a situação da AHB. Precisamos encontrar uma saída que não comprometa mais o atendimento e também a situação dos funcionários. É nosso dinheiro que está indo para ai”, disse o secretário adjunto.
Segundo ele, a secretaria está fazendo um diagnóstico fino da situação e estudando problemas que envolvem desde a situação do prédio onde funciona o Hospital de Base até a forma de contratação da prestação de serviço feita pela associação.
“A secretaria não está omissa. Estamos fazendo um levantamento de dados da propriedade para saber do ponto vista jurídico qual é a situação, para que possamos tomar as providências possíveis”, disse ele.
O secretário afirmou que secretaria está cumprindo seus compromissos financeiros com a AHB. Ele prometeu que os R$ 3 milhões que a Secretaria deverá destinar a associação ainda este mês, serão pagos na data prevista.
“O que foi acordado será cumprido. A parcela de janeiro vai ser paga em janeiro”, disse ele.
Futuro negro
Os diretores do sindicato explicaram ao secretário adjunto que a preocupação da entidade é com relação ao que irá ocorrer com a AHB após o mês de janeiro, quando o Estado deixará de enviar verbas complementares para a associação.
“Primeiro o Estado destinou R$ 2,4 milhões a AHB e o dinheiro não foi suficiente. Mesmo recebendo essa verba foram suspensas cirurgias e vários procedimentos médicos. Depois destinou mais R$ 2 milhões e mesmo assim, em dezembro a AHB ameaçou não pagar o 13° salários e em janeiro quiseram cancelar o vale dos funcionários. Agora serão destinados R$ 3 milhões. A partir de fevereiro não tem mais esse dinheiro extra. Como então ficará a situação da AHB? questionou o advogado do sindicato, José Marques.
O secretário adjunto concordou que a situação da associação atingiu o ponto crítico e que se não houver apoio de todos os segmentos da sociedade para resolver a situação ela poderá “explodir”.
“Queremos encontrar uma solução que não seja pontual, uma solução de base a longo e médio prazo. Não adianta tapar o buraco porque depois tem outro maior logo abaixo, disse ele.
O secretário adjunto ainda disse que a secretaria já está estudando algumas saídas para o problema e que a dívida de cerca de R$ 150 milhões, contraída pela AHB, é o maior empecilho para a tomada de uma decisão imediata.
“Sabemos que o Hospital de Base e a Maternidade Santa Izabel não estão em condições físicas adequadas e vão precisar de recursos tanto para recuperar o prédio como os equipamentos. Temos a preocupação com a dívida da entidade. Grande parte dessa dívida é por falta de pagamento de tributos federais. A coisa é complicada. Daqui a pouco essa dívida pode ser drenada para o governo. Temos que ter o cuidado para não ficar com essa dívida”, afirmou.
Segundo ele já está agendada uma reunião na secretaria com o prefeito Rodrigo Agostinho. Além disso, ele prometeu entrar em contato com o Ministério Público,
“Vamos falar com o Ministério Público, já que eles não conseguem nos encontrar a agente vai encontrar o MP. Nosso pessoal da Procuradoria Geral do Estado vai entrar em contato com o promotor José Carlos Carneiro de Oliveira”, afirmou.
Sindicato
Esta é a segunda vez que dirigentes do Seessb vão a secretaria cobrar um posicionamento do governo em relação à situação da AHB.
“ Desde que a crise começou estamos tentando achar uma solução. Solicitamos uma audiência pública à Câmara Municipal, participamos do grupo do Conselho Municipal de Saúde e tomamos providências jurídicas para assegurar o direito dos trabalhadores.”, disse a presidente do Sindicato Vera Salvado Pimentel.
Segundo ela, causou estranheza aos diretores a informação de que havia sido criado um Conselho Gestor para administrar a AHB.
“Criaram um conselho sem um representante dos trabalhadores. O sindicato se quer foi informado sobre isso. Como irão discutir o problema se desconhecem o assunto, se não sabem a situação dos mais de 1.200 trabalhadores que correm risco de perder seus empregos”, afirmou a presidente.
Inês Ferreira

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